quinta-feira, 30 de abril de 2009

Supremo decide revogar a lei de imprensa

Por maioria, Supremo decide revogar a Lei de Imprensa

A ação contra a lei 5.250 foi ajuizada pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista). O julgamento começou no dia 1º de abril, quando o relator, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela total revogação, argumentando que a lei, editada em 1967, durante o regime militar (1964-1985), é incompatível com a Constituição Federal de 1988.

"Por que considerar a Lei de Imprensa totalmente incompatível com a Constituição Federal? A liberdade de imprensa não se compraz com uma lei feita com a intenção de restringi-la", afirmou o ministro Menezes Direito, primeiro a votar hoje, seguindo o relator. "Nenhuma lei estará livre de conflito com a Constituição se nascer a partir da vontade punitiva do legislador."

Diploma
Também está à espera de julgamento no STF um tema paralelo à Lei de Imprensa: a exigência de diploma para jornalistas. O recurso extraordinário a ser julgado tem como relator o presidente Gilmar Mendes. A ação foi apresentada pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e pelo Ministério Público Federal, contrários à exigência de formação superior.

Em novembro de 2006, o Supremo garantiu o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão mesmo sem registro no Ministério do Trabalho ou diploma de curso superior na área.


Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

nota:Discordo desta revogação,afinal,os jornalistas tem todo direito de realizar seu trabalho,assim como todas as outras profissões.Você passar anos em uma faculdade,estudando e tempos depois o seu diploma ser considerado desnecessário ou inválido é totalmente frustrante.

Toque de recolher no Brasil



Municípios paulistas adotam “toque de recolher” para menores

Vinicius Konchinski

Repórter da Agência Brasil


São Paulo - Em pelo menos seis municípios do interior de São Paulo, jovens com menos de 18 anos não podem mais ficar fora de casa após as 23h sem a companhia de um responsável. Decisões de juízes titulares de Varas da Infância e Juventude de mais duas comarcas paulistas estabeleceram nesta semana regras rígidas quanto à permanência dos menores em “situações de risco”. Desde 2005, as restrições estão em vigor em Fernandópolis, Meridiano, Macedônia e Pedranópolis, no noroeste do estado. Nos últimos dias, restrições semelhantes foram impostas em Ilha Solteira e Itapura, na fronteira com Mato Grosso do Sul. Em ambos os casos, a justificativa dos juízes é a mesma: afastar crianças e adolescentes dos perigos a que estão sujeitos nas ruas.De acordo com juiz Evandro Pelarin, titular da Vara da Infância e Juventude de Fernandópolis e autor da decisão que abrange quatro cidades da região, a idéia da restrição surgiu de um "clamor da sociedade". Em entrevista à Agência Brasil, ele explicou que a primeira sentença sobre o assunto foi dada em resposta a um requerimento do Ministério Público (MP) da cidade, protocolado em 2005. Desde então, a validade das restrições foram prorrogadas e, há um ano, viraram uma portaria judicial permanente.“O Ministério Público pediu e nós decidimos cobrar uma fiscalização mais rígida por parte das polícias Militar e Civil”, afirmou Pelarin, garantindo que sua decisão se baseia totalmente no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Eu, como juiz, tenho uma interpretação do ECA e também tenho o dever de fazer com que as leis sejam cumpridas.”Segundo o juiz, a decisão tem sido bem aceita pela população de Fernandópolis e região e tem colaborado com uma queda no número de ocorrências envolvendo menores na região.Dados repassados pelo próprio juiz apontam que, de janeiro a maio de 2004 - período em que as restrições não estavam em vigor -, foram registrados 131 casos de furto com participação de menores em sua vara. Quatro anos depois, no mesmo período, foram registrados 11 casos. Já os casos de lesão corporal caíram de 61 para 19.“O número de pequenos furtos e a reincidência dos menores caíram sensivelmente”, disse o delegado-assistente Oreste Carosio Neto, da Delegacia Seccional de Fernandópolis.Manoel Franco de Souza, membro do Conselho Tutelar do município, também confirma as reduções. Ele diz que desde o início das restrições, também vem caindo o número de menores recolhidos por estarem na rua desacompanhados, fora do horário permitido pela Justiça.Segundo Franco, a experiência de Fernandópolis deu tão certo que inspirou a decisão de Ilha Solteira, que vale também em Itapura. Lá, assim como em Fernandópolis, menores pegos na rua rua após as 23h são encaminhados para o Conselho Tutelar e seus pais são advertidos. Em caso de reincidência, os pais são multados por negligência.','')


Toque de recolher reduz violência em Fernandópolis (SP)
Agencia Estado

Quatro anos após ser introduzido pela primeira vez em uma cidade no Estado de São Paulo, o toque de recolher para menores de 18 anos é apontado pelas autoridades como responsável pela redução de 80% dos atos infracionais e de 82% das reclamações do Conselho Tutelar, no município de Fernandópolis. A medida, que proíbe a permanência de menores nas ruas após as 23 horas, foi imposta em maio de 2005 pelo juiz da Infância e da Juventude de Fernandópolis, Evandro Pelarin, para reduzir a delinquência juvenil e evitar que os menores ficassem até tarde nas ruas consumindo bebidas alcoólicas e entorpecentes. Levantamento divulgado pelo Juizado de Menores mostra que o índice de atos infracionais vem caindo ano a ano em Fernandópolis. Em 2005, foram 378 ocorrências, contra 329 em 2006; 290 em 2007; e apenas 74 no ano passado. Nos vários tipos de atos infracionais, a maior queda foi na incidência de furtos, que caíram 91% no período. Em 2005, foram 123 ocorrências contra 82 em 2006, 59 em 2007 e apenas 11 em 2008. A redução também acompanha outras ocorrências, como porte de entorpecentes, de 17 casos para 8; lesão corporal, de 68 em 2005 para apenas 19 em 2008. Em 2005, 15 menores foram flagrados portando arma; em 2008, não houve registro.No conselho Tutelar, também houve redução das reclamações contra menores problemáticos e a gravidade das queixas diminuiu. Além de Fernandópolis, Ilha Solteira e Itapura mantêm o toque de recolher no estado. Em Ilha Solteira, onde o toque completa uma semana amanhã, as blitze feitas nas madrugadas de sábado e domingo apreenderam quatro meninas em situações de risco.


nota: O toque de recolher é inconstitucional,pois,restringe o direito de ir e vir do indivíduo. Sería isso um sistema de proteção aos jovens ou intromissão por parte do Estado? A partir do momento que a violência diminui e o toque de recolher apesar de arbitrário e ditador passa a surtir efeitos positivos,então eu me torno favorável.

Regras similares existem até hoje (desde os anos 1980) em alguns lugares dos EUA, proibindo menores de idade de se reunirem em locais públicos durante o horário letivo.


No Reino Unido=Com a Lei de Comportamento Anti-Social (Anti-Social Behaviour Act), de 2003, foram criadas zonas especiais nas quais a polícia pode deter e escoltar até em casa menores de 16 anos desacompanhados após as 21h, infratores ou não. Apesar de um sucesso inicial, o Alto Tribunal de Justiça britânico decidiu em um caso particular que a lei não dava poder de prisão à polícia, e os agentes não poderiam forçar um jovem a acompanhá-los. O Ministério do Interior (Home Office) do Reino Unido está recorrendo da decisão. As leis de toque de recolher juvenil estão em disputa judicial por defensores de direitos humanos.


Em Singapura=As autoridades também impuseram um toque de recolher às 23h para crianças e adolescentes menores de 16 anos de idade. Os detidos podem sofrer uma advertência e os pais também recebem uma carta. A medida, tomada em 2006, foi imposta para combater a delinqüência juvenil.


Na Dinamarca=A polícia de duas cidades (Silkeborg e Slagelse) anunciou que prenderá e levará à delegacia menores de 15 anos e informará aos pais que devem buscá-los na cadeia se forem encontradas nas ruas entre meia-noite e 5h. Não há lei na Dinamarca que cubra a área, então as crianças não são punidas nem advertidas de forma alguma. Entretanto, a Dinamarca não tem um sistema penal juvenil separado, o que causa o perigo de misturar jovens com presos adultos nas mesmas celas.


sexta-feira, 24 de abril de 2009

jogo jurídico

http://superdownloads.uol.com.br/download/121/jogo-juridico/

Excelente jogo no estilo quiz com perguntas e respostas objetivas para estudantes de direito e concursandos é perfeito para treinar, pode pedir ajuda para o prof. fulano, pode pedir dica e pode eliminar 3 alternativas, o jogo é tipo o do extinto show do milhão, só que apenas com perguntas da área jurídica. O programa que é software freeware, portanto, gratuito foi desenvolvido por José Maria Tesheiner, que é Doutor em Direito, desembargador aposentado, professor no mestrado e doutorado da Puc -RS e André Luís de Aguiar Tesheiner, juíz de Direito no RS.

sábado, 18 de abril de 2009

momento descontração : )-<

Ladrão assoa o nariz durante roubo, esquece lenço e vai preso

Assoar o nariz pode dar cadeia. Isso, claro, se você for um ladrão gripado e esquecer um lenço na cena do crime. Timothy Mcleod, 46 anos, roubou uma televisão e uma jaqueta em Portsmouth, na Inglaterra. Durante o crime, o ladrão, que deveria estar um pouco doente, assoou o nariz em um lenço e o esqueceu no local.Após uma investigação do DNA contido no lenço, no melhor estilo CSI ou qualquer uma dessas séries de investigação que passam na TV, a polícia chegou a Mcleod, que foi condenado a dois anos e meio de prisão."Ele foi estúpido o suficiente para deixar o lenço para trás", disse Catherine Stacey, uma das investigadoras do caso.O ladrão já havia sido condenado anteriormente por roubo na cidade. Mcleod tinha roubado outra casa e uma joalheria, em Portsmouth.
Obcecada por policiais,mulher liga para a emergência em busca de um grande amor
Uma alemã estava em busca de seu grande amor. Ela estava convicta que a sua cara metade deveria ser um policial. Até aí, nada demais. Mas ela decidiu encontrar o seu parceiro ideal ligando para o telefone de emergência da polícia. Tentou uma vez, duas vezes, mais uma vez... Foram 13 tentativas até que seu desejo se realizasse. Dois policiais bateram em sua porta... mas para confiscar a bateria de seu telefone celular."Ela disse que estava sem parceiro há muito tempo e que agora tinha um plano concreto para o futuro, que envolvia encontrar um policial com quem iria passar o resto de sua vida", disse um policial de Swelm, na Alemanha.
Ela acrescentou que iria continuar ligando até que encontrasse o que procurava e que não se importava se estava bloqueando o telefone de emergência da polícia", acrescentou.Quando os policiais bateram em sua porta, a mulher se desculpou pelo problema que tinha causado e prometeu levar um bolo à delegacia no dia seguinte. Os policiais confiscaram a bateria do telefone celular que era usado para fazer as ligações.As chamadas pararam, mas a mulher não levou o bolo prometido, disse um porta-voz da polícia.
Mulher liga para a policia para reclamar que Mc'Donald ficou sem nuggets
O desespero provocado pela gula terminou mal em Miami.Depois de ter ligado três vezes para o serviço de emergência da polícia para reclamar que o McDonald's tinha ficado sem McNuggets, uma mulher da Flórida vai precisar se explicar nos tribunais.O episódio aconteceu no sábado em Fort Pierce, na costa leste da Flórida (EUA). Sem seus crocantes e apetitosos pedaços de frango empanado, Latreasa Goodman, de 27 anos, não se conteve. Ligou do seu celular para a central de polícia e disse que o seu pedido não havia sido atendido. E pior: a lanchonete não queria lhe devolver o dinheiro.Confira mais clicando no link abaixo.
Homem ajuda idosas a atravessar a rua, é atropelado e ganha uma multa como recompensa
Um norte-americano ajudou duas idosas a atravessar uma rua movimentada de Denver durante uma nevasca e foi atropelado. Sabe o que ele ganhou de recompensa por salvar a vida das duas velhinhas? Além de uma hemorragia cerebral, ossos quebrados, um ombro deslocado e uma possível ruptura no baço, o "bom samaritano" Jim Moffett, de 58 anos, ganhou uma multa. Isso porque ele foi imprudente ao não atravessar na faixa de pedestre.O policial Ryan Sullivan disse que entendeu as boas intenções de Moffett, que fez um ato heroico, blablablá... Mas que não tem jeito, lei é lei. "Dura lex sed lex", diziam os romanos, e recita o metido a culto do Editor do UOL Tabloide.Moffett dirigia seu ônibus quando as duas senhoras desceram. Gentil e cavalheiro, o homem, junto com um amigo - que também foi multado -, as ajudou a atravessar a rua, quando uma picape entrou no caminho das velhinhas. Rapidamente, o bom homem empurrou as idosas e foi atropelado.Quando foi notar, Moffett já estava em um quarto de hospital. "Ele estava confuso. E eu bravo", disse seu enteado Ken McDonald.O motorista da picape também foi multado por ter atropelado Moffett.

manchetes um tanto absurdas

o que o Le Monde Diplomatique fala dos blogs

A nova onda dos blogs

A Internet e o atual surto de ’blogs’ possibilita o acesso a outras verdades e opiniões além dos destacados pela imprensa. Além de sua influência no jornalismo, provoca-se uma nova ecologia da mídia conduzida pela comunicação horizontal

Durante a invasão do Iraque, um número considerável de pessoas consultou fontes de informação alheias aos meios de comunicação tradicionais
A fórmula segundo a qual a primeira vítima da guerra é a verdade seria desmentida pela Internet? Graças à rede, agora é possível o acesso a outras verdades e outras opiniões. Uma pesquisa sobre o uso da Internet pelos norte-americanos durante a invasão do Iraque revelou que 55% deles trocaram mensagens eletrônicas sobre o assunto. Um número considerável de pessoas consultou fontes de informação alheias aos meios de comunicação tradicionais. A BBC britânica, considerada mais objetiva, viu as consultas a seu site aumentarem 47% e The Guardian, mais crítico, viu as suas aumentarem em 83%. Os fanáticos da Internet encontraram muitas vezes, graças aos blogs, a pista de informações que a grande imprensa dissimulava. Mas o que vem a ser, realmente, um blog?
Blog é uma abreviatura de weblog, que se poderia traduzir por “diário de bordo da rede”. Os neologismos provenientes dos Estados Unidos freqüentemente perturbam a nossa rotina lingüística, mas às vezes correspondem a novidades concretas. Os blogs são diários pessoais na Internet, mantidos por meio de aplicativos simples que permitem escrever um texto no computador e, desde que se esteja conectado, enviá-lo instantaneamente para que seja exibido numa página virtual criada com esse objetivo. Em geral, os blogs misturam informações com opiniões e muitas vezes são acompanhados por um link à fonte original, a um outro blog, ou a um artigo que o blogueador comenta ou para o qual quer chamar a atenção de seu público. O primeiro blog de que se tem conhecimento data de 7 de outubro de 1994 e é atribuído a Dave Winer, programador e criador de um dos aplicativos mais comumente utilizados em Manila, nas Filipinas.
Blogger cronista do The Guardian
Os warblogs, ou “diários de guerra”, nasceram depois do dia 11 de setembro de 2001, por iniciativa de comentaristas conservadores que desejavam uma abordagem ainda mais patriótica do que a que fazia a grande imprensa – considerada demasiado “liberal”, ou seja, demasiado de esquerda. Mas o recente conflito do Iraque permitiu que ganhassem um sentido mais geral e o termo acabou por significar os blogs dedicados à guerra do Iraque1.
Os fanáticos da Internet encontraram muitas vezes, graças aos blogs, a pista de informações que a grande imprensa dissimulava
O mais célebre dos warbloggers é um iraquiano que atende pelo “pseudônimo blog” de Salam Pax2 (“paz” em árabe e em latim). Com um estilo cáustico, ele começou por criticar veementemente Saddam Hussein, em seguida os bombardeios e agora se dedica aos invasores norte-americanos. Salam Pax dá uma imagem mais viva da vida em Bagdá antes, durante e depois da invasão militar do que a maioria dos correspondentes estrangeiros. Tentaram tachá-lo de agente da ditadura e, depois, da CIA, mas a sinceridade de seu olhar atraiu para seu site um número de visitantes suficiente para paralisar (ou quase) os provedores que o hospedam. Os grandes jornais publicaram artigos sobre ele. The Guardian, de Londres, acaba de contratá-lo como cronista bimensal.
Fenômeno superestimado
Muitos jornalistas, presentes ou não no Iraque, também mantêm seus warblogs. Kevin Sites, da CNN, por exemplo, foi obrigado a interromper o seu por ordem da emissora. Outros warblogs tentaram reunir o máximo possível de informações sobre o conflito. Após ter convocado uma organização de apoio às tropas invasoras, manifestações pró-americanas (nos Estados Unidos) e “antifrancesas”, Blogs of War, por exemplo, prosseguiu sua luta criticando os manifestantes anti-G-8. Um outro, Warblogs:cc, reuniu vários links que remetem a inúmeros artigos sobre o conflito e aos “melhores warblogs”.
Apesar de tudo, não se deve superestimar a importância do fenômeno. O número de pessoas que consulta os blogs não é significativo. Um relatório do Pew Center revela o seguinte: “Os blogs suscitam um interesse crescente junto a um número restrito de internautas, mas ainda não constituem uma fonte de informações ou de comentários para a maioria dos usuários. Apenas 4% dos norte-americanos que têm acesso à Internet consultam os blogs em busca de notícias e opiniões. O número total é tão pequeno, que não é possível tirar conclusões estatisticamente significativas a respeito das pessoas que os utilizam3.”
Fontes variadas
O mais célebre dos warbloggers é um iraquiano que atende pelo “pseudônimo blog” de Salam Pax, que acaba de ser contratado pelo The Guardian
O relatório avalia que o principal é que a Internet serviu de meio de acesso a fontes variadas (dentro dos Estados Unidos, os internautas eram mais favoráveis à guerra do que os outros). Mas acrescenta: “As pessoas que se opunham à guerra demonstraram um uso dos blogs ligeiramente superior àquele dos que eram favoráveis.”
A partir do relatório do Pew Center, Ross Mayfield, diretora-presidente da SocialText, uma empresa que produz um aplicativo que permite a criação de redes sociais, deduziu que o número de bloggers beira os 3 milhões. Em maio de 2001, eles eram 500 mil e, um ano depois, já eram um milhão. Recentemente comprado pelo Google, o Blogger.com – que funciona como site e como programa para a publicação de jornais eletrônicos – anuncia mais de um milhão de contas. Sua filial brasileira já tem mais de 300 mil...
Influência no jornalismo
O peso dos blogs está parcialmente vinculado à sua influência sobre os jornalistas. Já obrigaram os meios de comunicação a levar em conta temas que “não saíam” na imprensa, tais como os comentários racistas do ex-líder da maioria republicana no Senado, Trent Lott, que foi forçado a renunciar no outono de 2002. Principal colunista do San José Mercury e autor do primeiro blog escrito por um jornalista e publicado no próprio site do jornal, Dan Gillmore avalia, por seu lado, que “os atendem a uma necessidade fundamental: filtram a avalanche de informações e permitem localizar o material mais importante”. No entanto, não passam de uma pequena parte de um fenômeno muito mais amplo.
Pois os blogs são agora de domínio público. São publicados pelos grandes meios de comunicação (The Guardian4, MSNBC5). Dependendo do caso, pode se tratar de diários pessoais, de registros diários (tradução literal de log), de diários de bordo, ou de uma mistura de tudo isso que os interessados escrevem diariamente, e até de hora em hora. Podem ser individuais ou coletivos.
Comunicação horizontal
Apesar de tudo, não se deve superestimar a importância do fenômeno. O número de pessoas que consulta os blogs não é significativo, são cerca de 3 milhões de pessoas
A forma ainda está sendo buscada na intersecção do íntimo e do público. Ela se complica diariamente com o surgimento, por exemplo, de photoblogs ou de moblogs, blogs móveis que podem ser alimentados por voz, por imagens ou por textos do tipo SMS, que podem ser captados através de um telefone celular. O tom pessoal e a presença de links que permitem ir diretamente à fonte do que menciona o autor – um contrabalançando o outro – são, sem dúvida, as duas características que, reconhecidamente, melhor definem o que é um blog (para o qual existem tantas definições quanto o número de bloggers).
O fenômeno se situa na linha estreita do que é a principal qualidade da Internet: a comunicação many to many, ou horizontal, como a distribuição eletrônica de mensagens e a distribuição instantânea. A “morte da distância” pesa menos do que a intensa comunicação entre pessoas que não se conhecem. O que distingue os blogs é o fato de tornar pública essa comunicação. O que convida a questionar se os bloggers seriam jornalistas.
Interatividade com leitores
A principal grande diferença do jornalismo tradicional está na ausência de um olhar externo antes da publicação de um artigo. Foi essa a conclusão a que chegou uma conferência realizada na Faculdade de Jornalismo da Universidade de Berkeley, em 17 de setembro de 2002. Não existe secretário de redação. Mas, devido à interatividade, os leitores podem ajudar. “Recebo mensagens eletrônicas sugerindo a correção de erros ortográficos”, contou Meg Hourihan, fundadora do Blogger.com.
Paul Grabowicz, que dá um curso sobre blogs em Berkeley, avalia que “coletivamente, os bloggers fazem algo que se parece muito a uma reportagem”, ainda que a forma seja mais próxima da crônica ou do editorial. “Os blogs”, diz Dan Gillmore, “fazem parte do mecanismo que conduz ao jornalismo”. E não pára de repetir: “Nossos leitores, ouvintes e espectadores sabem, coletivamente, mais, muito mais do que nós sabemos”. Com base nessa constatação, ele defende um jornalismo concebido mais como uma “conversa” do que como uma “aula magistral”. Editor do site Salon.com, Scott Rosemberg pensa que os blogs respondem a uma “espécie de economia do ego”. Publicar o que pensa e receber comentários fazem a pessoa “se sentir bem”.
Gestão de conhecimentos
Comprado pelo Google, o Blogger.com anuncia mais de um milhão de contas. Sua filial brasileira já tem mais de 300 mil...
Para Steven Johnson, ex-diretor da finada revista eletrônica Feed, “a verdadeira revolução prometida pelo surgimento da galáxia blog não tem nada a ver com jornalismo. Trata-se de gestão de conhecimentos”. E acrescenta: “O que torna os blogs interessantes é justamente o fato de não serem jornalismo.”
Não se deve confiar cegamente nos blogs – menos ainda do que na imprensa tradicional, que sabemos que mente e engana. Nos blogs, os erros são mais fáceis. Mas os links permitem aos leitores o acesso às fontes originais (que devem sempre ser verificadas) e constituem um fator importante de credibilidade.
A nova loucura dos blogs é tamanha que Dave Winer apostou com Martin Nisenholtz, dono do site do New York Times, que, dentro de cinco anos, eles teriam mais autoridade do que a nata da imprensa. A mídia, diz ele, “terá passado por mudanças tão profundas que as pessoas informadas irão procurar, nos blogs de amadores em que tenham confiança, a informação de que necessitam”. Winer não acredita que os jornais irão desaparecer, mas se interessa pela nova ecologia da mídia conduzida pelo surgimento da comunicação horizontal.
Publicação sem valor financeiro
O peso dos blogs está vinculado à sua influência sobre os jornalistas. Já obrigaram os meios de comunicação a levar em conta temas que “não saíam” na imprensa
Até o mundo dos negócios vem descobrindo os blogs. A Ideactif, uma empresa do Quebec que programa sites para a Internet, abriu um weblog coletivo em janeiro de 2000. “Ficamos permanentemente conectados à Internet”, escrevem, “e descobrimos freqüentemente informações que podem parecer úteis, suscitar a reflexão, ou simplesmente divertir. O weblog é um meio de partilhar conhecimentos de uma maneira simples e eficiente”.
Os blogs também podem servir para partilhar conhecimentos internos dentro de uma empresa. Segundo Amy Wohl, conselheira em informática, eles constituem “uma maneira agradável para os empregados de partilhar um mesmo meio de pesquisa, de análise e de seleção da informação”.
Daí a acreditar que eles permitam ganhar dinheiro é um passo. Andrew Sullivan, o mais conhecido dos bloggers, afirma ter passado “de 805 mil visitantes, em março de 2002, para 1,88 milhão em março de 2003”. Isso deveria valer dinheiro. Para ele, sem dúvida, mas não se deve ter ilusões. Segundo Clay Shirky, analista da Internet, a publicação de textos tradicionais cria o valor em função do trabalho que exige, mas também devido à seleção (fonte de originalidade) que implica. A Internet, de uma forma geral, e os weblogs, em particular, matam isso: “São um instrumento tão eficaz de distribuição da palavra escrita que fazem da publicação uma atividade sem valor financeiro.”
Dose de narcisismo e história fragmentada
Não se deve confiar cegamente nos blogs – menos ainda do que na imprensa tradicional.. Mas os links permitem aos leitores o acesso às fontes originais
Os bloggers bem-sucedidos podem esperar um pouco de publicidade, o apoio de um anunciante ou algumas contribuições voluntárias, mas sua reputação seria melhor reconhecida na forma de livro ou de crônicas num jornal tradicional. Quanto aos jornalistas empregados que têm um blog, raramente são pagos para fazê-lo.
Seria isso um drama? Nem pensar. “A destruição do valor é o que torna os weblogs tão importantes”, afirma Shirky. “Queremos um mundo em que não seja necessário ajuda ou autorização para escrevermos o que pensamos”. Cada blogger começa por se dirigir a um círculo restrito de amigos e colegas “no qual a participação da conversa constitui sua própria gratificação”. Ele incentiva a criação de novas redes de relações sociais.
Portanto, os blogs aparecem como uma forma de narrativa específica da Internet. Contam, com uma boa dose de narcisismo e a história global e fragmentada do mundo contemporâneo. Se os jornalistas escrevem o rascunho da história, os bloggers6 parecem ter encontrado um espaço para relembrar os primeiros passos...